Complexa e milenar, a arte da perfumaria tem suas origens no Egito, por volta do ano 2000 a.C. Naquele período, os faraós e membros considerados importantes na corte utilizavam as fragrâncias como forma de demonstrar a hierarquia. Nos escritos egípcios, há evidências de que os perfumes também eram utilizados no processo de embalsamamento das múmias, que demandava grande quantidade de óleos aromáticos, e em ritos religiosos. Além disso, há relatos de que Cleópatra seduziu Marco Antônio e Julio César com o uso de um perfume à base de óleos extraídos das flores.

Antes disso, nos períodos mais remotos, os humanos já faziam experiências que se desdobrariam na arte da perfumaria. Eles queimavam ervas para que, através da fumaça, pudessem invocar os deuses. Nesse contexto, surgiu a palavra “perfume”, em latim “per fumum”, que significa “através da fumaça”.

Porém, foi apenas na Grécia Antiga que o perfume passou a ser estudado e manipulado de forma sistemática. Em 323 a.C., Teofastro, considerado um dos primeiros autores a escrever sobre a arte da perfumaria, publicou um tratado sobre o perfume a partir de seus estudos em botânica, área fundamental para o desenvolvimento da perfumaria, que também teve grande influência dos indianos, persas, romanos e árabes.

Depois, no século X, Avicena, polímata persa, provavelmente o filósofo mais importante na tradição islâmica, descobriu a destilação dos óleos essenciais das rosas, e assim criou a Água de Rosas, seguido da criação da Eau de Toilette, produzido especialmente para a rainha da Hungria.

Já no século XIX, novas funções entraram para o escopo da arte da perfumaria, através dos fins terapêuticos.

Mas, sua disseminação e popularização aconteceu mesmo na Europa, mesmo que feitos a partir de uma produção completamente artesanal.

Nesse período, o perfume passou a ser considerado como item de luxo da mulher francesa e Paris começou a se tornar referência mundial na confecção e desenvolvimento de fragrâncias.

Curiosidade

A primeira greve da humanidade, aproximadamente 1330 a.C., teve as essências como estopim. O faraó Seti I, ao notar a necessidade dos unguentos aromáticos refrescantes na região, interrompeu seu fornecimento para outros povos. Posteriormente, em 1300 a.C., peões de Tebas revoltaram-se contra a escassez das essências e somente foram contidos pelo faraó Ramsés II.